Quando a recuperação parece difícil

Depois de um AVC, é comum ouvir desabafos como: “isto é uma luta”.
Um braço que não obedece, uma mão que não abre, dedos que parecem desligados.
Esses momentos são reais e desafiantes — mas importa perceber que não é o corpo que é contra nós. O corpo apenas mostra, de forma visível, as marcas do que aconteceu.

A linguagem que fere

Muitas vezes surgem expressões como “o lado mau” ou “este braço não serve para nada”.
Essas palavras acabam por acentuar a rejeição em relação ao corpo, como se fosse descartável. Mas o corpo, mesmo marcado, é o único espaço onde podemos continuar a viver, sentir e reaprender.

Aceitar em vez de rejeitar

Aceitar o corpo não é resignar-se. É reconhecer que:

Quando aceitamos o corpo como parceiro, deixamos de o ver como obstáculo e começamos a tratá-lo como um terreno fértil onde ainda é possível reconstruir.

Uma escolha exigente, mas possível

É natural sentir raiva ou frustração. A aceitação não apaga esses sentimentos, mas ajuda a que não se transformem em rejeição. Ao invés de afastar o corpo, aprendemos a caminhar com ele — com os seus limites e com o seu potencial.

Conclusão

Não chames “mau” ao teu lado afectado, nem digas que “não serve para nada”.
O corpo mostra as marcas do AVC, mas continua a ser o teu corpo. E é nele, passo a passo, que pode nascer um novo caminho.

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